De celulares sobrando a mini data centers: por dentro da comunidade Acurast em crescimento

Toda rede começa com tecnologia. Mas a tecnologia sozinha não constrói uma rede.
As pessoas constroem.
Em toda a comunidade Acurast, os membros estão cada vez mais criativos com suas montagens, adaptando o hardware ao próprio espaço, orçamento e necessidades. Tudo sempre começa com um único celular, um vídeo no YouTube ou uma simples curiosidade sobre computação descentralizada e, aos poucos, vira algo muito maior.
Alguns rebeldes descobriram uma forma melhor de resfriar seus celulares. Alguns montam controles remotos de energia. Outro rebelde acrescenta conexão de fibra, failover de rede e energia de backup até que sua montagem comece a parecer menos uma farm de celulares e mais um data center em miniatura.
E, embora cada montagem seja diferente, todas contribuem para a mesma rede.
Na Community Series no Discord, a Acurast vem conversando com os rebeldes por trás dessas montagens. A ideia era entender como eles descobriram a Acurast, por que começaram a contribuir com computação usando seus celulares, o que aprenderam pelo caminho e para onde acham que a infraestrutura descentralizada pode ir a seguir.
As histórias deles mostram uma comunidade que não está simplesmente crescendo em números. Ela está ficando mais experiente, mais criativa e comprometida com o projeto.
Muitas vezes, tudo começa com um celular
Não existe um jeito típico de descobrir a Acurast.
Para um membro da comunidade na Malásia, tudo começou enquanto ele procurava uma forma de acumular algumas recompensas extras usando o celular.
“Encontrei a Acurast no Twitter porque estava procurando uma forma de ter uma renda extra usando meu celular.”
Um celular virou uma pequena montagem. A pequena montagem continuou crescendo. Hoje, ele opera 43 celulares Android com versões do Android 13 ao Android 16 e continua adicionando mais.
O que o convenceu a expandir não foi um grande plano de montar uma farm de celulares. Foi simplesmente ver que a montagem funcionava.
“Depois de ver resultados estáveis, continuei expandindo. Adicionar mais dispositivos ajuda a otimizar o tempo de atividade, então, mesmo que alguns dispositivos fiquem offline, os outros conseguem cobrir.”
A experiência dele resume algo que se vê repetidamente na comunidade. As pessoas costumam começar com um pequeno experimento em mente. Depois, expandem rapidamente.
Às vezes, hardware antigo tem uma segunda vida
No Reino Unido, a história de Pheal começou de outro jeito.
Ele descobriu a Acurast por um vídeo no YouTube. Para alguém que se interessava por computadores desde cedo, a ideia fez sentido na hora.
Era uma infraestrutura que ele mesmo podia construir.
Em vez de encher sua montagem só com hardware novo, Pheal começou a procurar no eBay celulares baratos que pudesse consertar e colocar de volta para trabalhar.
Hoje, ele roda cerca de 75 celulares Samsung S10, além de S10+, S10 5G, Pixel 6 e alguns iPhones.
“Como me envolvi com computadores desde cedo, a ideia de montar e operar uma farm de celulares me atraiu, assim como o desafio de encontrar celulares baratos no eBay que eu pudesse consertar e usar na farm.”
Os ajustes não pararam nos celulares.
Os celulares dele ficam em racks Cellhasher rodando o Acurast Core, mas Pheal modificou os racks com controladores de velocidade das ventoinhas. Em vez de manter as ventoinhas sempre em velocidade máxima, o resfriamento pode ser ajustado de acordo com o que os Processors realmente precisam.
É uma modificação relativamente pequena, mas com benefícios práticos: menos barulho e um consumo de energia um pouco menor.
Isso é parte do que torna essas montagens da comunidade interessantes. Os rebeldes não estão simplesmente ligando celulares na tomada e deixando-os de lado. Eles estão aprendendo como o hardware se comporta e encontrando seus próprios jeitos de fazê-lo funcionar melhor.
Para Pheal, esse processo de experimentação também significou aprender tecnologias e plataformas com as quais ele mal tinha tido contato antes de entrar na Acurast.
Antes da Acurast, ele tinha pouca experiência com plataformas de celular e nunca tinha usado o Discord nem o Telegram.
O resumo que ele faz da experiência é certeiro:
“Todo dia é dia de aprender!”
Aos poucos, uma farm de celulares vira um mini data center
No outro extremo está um rebelde em Portugal.
Ele descobriu a Acurast enquanto explorava projetos cripto construídos em torno de grandes modelos de linguagem (LLMs). A tecnologia chamou sua atenção, então ele começou a construir. E continuou construindo.
Hoje, sua operação inclui cerca de 140 celulares topo de linha.
Mas o número de celulares conta só parte da história.
Os celulares funcionam com Ethernet cabeada e sem bateria. Por trás deles há um switch Alta Labs de 24 portas, conexão de fibra de 10Gb, failover 5G, nobreak (UPS) e máquinas dedicadas rodando Acurast Canary, RPCs da Mainnet e collators.
A essa altura, chamar isso de farm de celulares é quase pouco. Está mais para um mini data center operado pela comunidade.
E operar infraestrutura nessa escala traz um novo conjunto de desafios.
Quando você tem alguns celulares por perto, verificar cada um individualmente é administrável. Quando você opera mais de cem, a visibilidade e o gerenciamento remoto se tornam cada vez mais importantes.
“Eu gostaria de ter mais controle remoto sobre meus celulares e mais visibilidade de temperatura, RAM, carga de CPU, armazenamento e uso de rede. Algo como um painel de DevOps para operadores seria incrível.”
É um sinal interessante de como a comunidade está evoluindo.
As perguntas já não são só sobre como colocar um celular para rodar. Os operadores estão começando a pensar em gerenciamento de frota, monitoramento, conectividade, redundância e tempo de atividade.
Em outras palavras, eles estão começando a enfrentar os mesmos tipos de problema que os operadores de infraestrutura tradicional conhecem muito bem.
Só que estão resolvendo esses problemas com celulares.
O hardware evolui junto com a rede
Outro membro da comunidade do Reino Unido descobriu a Acurast talvez da forma mais apropriada possível: vendo alguém no YouTube colocar celulares antigos de volta para trabalhar.
“Vi alguém mostrando no YouTube como usar celulares antigos e pensei que gostaria de participar.”
Ele começou com alguns celulares. Hoje, roda 20 celulares Android e dois Processors Lite, montados em racks de carregamento Cellhasher.
À medida que sua montagem cresceu, ele passou a pensar com mais cuidado em eficiência. Tomadas inteligentes permitem que ele controle os celulares remotamente e evite gastar energia sem necessidade.
Mas outra coisa também mudou.
Os próprios celulares.
“Eu tinha muitos celulares de baixo desempenho, o que funcionava bem no começo, mas quando as recompensas passaram a ser vinculadas ao poder de processamento real, comecei a substituí-los por modelos melhores.”
A montagem dele evoluiu junto com a Acurast.
O que funcionava nos primeiros estágios da rede não era necessariamente o hardware que ele queria operar depois. Então ele se adaptou, substituindo os celulares de menor desempenho e melhorando a farm aos poucos.
A história dele também tem uma bela simetria. Ele descobriu a Acurast porque alguém fez um vídeo no YouTube sobre como usar celulares antigos.
Agora ele compartilha a evolução da própria montagem no YouTube, onde outras pessoas podem descobrir o que ele está construindo.
O experimento de um membro da comunidade vira o ponto de partida de outra pessoa.
O crescimento nem sempre é uma linha reta
Claro, comunidades não crescem de forma organizada.
Cloudsurfer, um membro da comunidade da Alemanha, descobriu a Acurast no X e se interessou pela tecnologia e pela direção do projeto.
Ele começou com um celular Android e dois celulares iOS. Depois, deu uma pausa.
Cerca de três meses depois, ele voltou.
“Depois de uns 3 meses de pausa, voltei e entrei de novo.”
Não houve nenhum motivo dramático por trás de nenhuma das decisões.
O projeto simplesmente continuava interessante o bastante para ele voltar.
A história dele é um bom lembrete de como é, na prática, o crescimento de uma comunidade. Não é um gráfico em que cada linha sobe sem interrupção. Uma comunidade real tem diferentes níveis de participação, diferentes motivações e pessoas que se envolvem com um projeto em momentos diferentes.
O que importa é dar a elas um motivo para voltar.
E quando perguntaram ao Cloudsurfer o que a Acurast poderia, de forma realista, fazer para surpreender o universo Web3 nos próximos dois anos, a resposta foi notavelmente concisa:
“Hospedar infraestrutura crítica.”
Três palavras, mas uma ideia muito maior por trás delas.
De experimentar com celulares a pensar em IA
Há outra mudança acontecendo nessas conversas.
Os membros da comunidade não estão pensando só na infraestrutura que operam hoje. Eles estão começando a imaginar o que poderia rodar nela no futuro.
Para o rebelde em Portugal, uma das possibilidades mais interessantes é a IA pessoal. A visão dele é um agente de IA capaz de armazenar com segurança o conhecimento de alguém, lembrar seus projetos e processar informações criptografadas usando LLMs locais.
Isso levanta uma questão interessante.
O que acontece quando a IA pessoal precisa de uma computação segura, distribuída, sempre disponível e que não esteja concentrada em um punhado de data centers tradicionais?
De repente, uma rede de celulares passa a parecer bem diferente. Deixa de ser apenas um experimento de computação descentralizada. Torna-se uma possível infraestrutura para aplicações que talvez ainda nem existam.
Pheal expressou uma ideia parecida por outro ângulo quando perguntaram a ele sobre o futuro da Acurast:
“Concentrem-se no produto principal e deixem que as aplicações encontrem vocês.”
Primeiro, construa a infraestrutura. Depois, veja o que as pessoas constroem com ela.
A comunidade está construindo mais do que farms de celulares
Olhe para essas histórias individualmente e você verá cinco pessoas muito diferentes, com cinco montagens muito diferentes.
Dê um passo atrás e um quadro maior começa a aparecer. Um operador conserta celulares baratos do eBay e dá a eles um novo propósito.
Outro passou de um único celular para 43.
Outro roda 20 celulares e gerencia remotamente o consumo de energia deles.
Um saiu por três meses e decidiu que valia a pena voltar ao projeto.
E outro montou uma operação de 140 celulares com conexão de fibra, failover de rede, nobreak (UPS) e infraestrutura dedicada.
Não existe um operador padrão da Acurast. Talvez seja justamente esse o ponto.
Uma rede de computação descentralizada não deveria depender de todo mundo ter o mesmo hardware, morar no mesmo lugar ou operar infraestrutura exatamente do mesmo jeito.
Ela cresce porque pessoas diferentes trazem recursos, habilidades, ideias e motivações diferentes. Pelo caminho, elas compartilham o que aprendem.
Um vídeo no YouTube inspira alguém a ligar seu primeiro celular. O conselho de outro membro da comunidade ajuda alguém a otimizar uma farm em crescimento. Um operador modifica um sistema de resfriamento. Outra pessoa começa a pedir monitoramento no nível de DevOps porque seu deployment ficou grande o bastante para precisar disso.
Esse conhecimento se acumula. E, aos poucos, o que começou como experimentos individuais passa a virar infraestrutura.
Hoje, essa infraestrutura vai de celulares consertados encontrados no eBay a montagens operadas pela comunidade com mais de cem celulares topo de linha.
Para onde ela vai a seguir dependerá em parte da tecnologia.
Mas também dependerá das pessoas dispostas a ligar aquele primeiro celular e ver o que acontece.
Qual é a sua história com a Acurast?
Há muitas outras montagens e histórias na comunidade Acurast que ainda não foram contadas.
Talvez você rode um celular. Talvez haja 100 deles em um rack ao seu lado. Talvez você tenha encontrado um jeito esperto de melhorar o resfriamento, a conectividade, o consumo de energia ou o gerenciamento remoto. Ou talvez você tenha entrado só na semana passada e ainda esteja entendendo tudo.
A Acurast quer ouvir a sua história.
Conte como você descobriu a Acurast, o que está construindo, o que aprendeu e para onde acha que a computação descentralizada pode ir a seguir. Conte sua história.
Participe da conversa: A comunidade Acurast já tem quase 60.000 pessoas no Discord. Se você quer falar sobre computação descentralizada com os rebeldes que a operam, entre aqui.
Se você tem um celular sobrando, pode ligá-lo e começar a contribuir com computação para a rede. Cada celular importa. Torne-se um provedor de computação.


